CSM Golden Goal visita a edição 2018 da maior feira de jogos eletrônicos do planeta

Que a indústria de games é enorme e movimenta muito dinheiro, a maior parte das pessoas já sabe. Em 2017, por exemplo, foram 108 bilhões de dólares em receita, segundo relato da SuperData. Um segmento que cresce cada vez mais nesse nicho, e está chegando com tudo ao Brasil é o de eventos de jogos eletrônicos. E a inspiração para isso vem da E3, feira realizada anualmente em Los Angeles.

Criada em 1995, ela é a maior feira de games do mundo, e nesse ano recebeu 69.200 pessoas entre os dias 12 e 14 de junho de 2018. Dentre os fãs, imprensa e publishers, alcançou o seu maior público desde a edição de 2005. E a CSM Golden Goal visitou essa grande celebração do entretenimento eletrônico no Los Angeles Convention Center.

Afirmação

Mas para entender o que é a E3, e o próprio mercado de videogames, hoje, é preciso conhecer sua história. A Electronic Entertainment Expo (por isso, o nome E3) nasceu no meio dos 90, no primeiro grande “boom” dos consoles, com a geração Mega Drive e Super Nintendo. Ainda assim, esses tipos de jogos ainda eram vistos com um certo preconceito por parte da sociedade.

Por isso, a Electronic Software Association (ESA) decidiu mostrar ao mundo o quanto poderoso esse mercado era como business. E nada melhor para chamar a atenção do planeta do que um grandioso evento em Los Angeles, capital do cinema, da música e dos esportes nos Estados Unidos. E foi, claro, um sucesso, reunindo mais de 50 mil pessoas.

O destaque foi o anúncio do primeiro PlayStation, mas diversas grandes empresas tiveram estandes com jogos para o público testar e fizeram revelações de suas novidades. Nintendo, Sega, Microsoft, Electronic Arts, Capcom e muitas mais. Dali em diante, o evento só cresceu, tornando-se referência para os grandes anúncios dos principais nomes de hardware e software de games da história.

Chegou a ser realizado em Atlanta em alguns anos e foi fechado para poucos convidados em outros, mas em 2009 voltou ao formato que lhe consagrou inicialmente, convocando toda a indústria gamer do mundo para se reunir. E, desde 2017, vende ingressos para o público. Nesse ano, por exemplo, os passes de fãs para o evento custavam US$ 249 e se esgotaram em apenas algumas horas.

Celebração

E por que tanta gente assim se interessa pela E3? Essa é uma das perguntas que são respondidas em apenas algumas horas de observação no evento. Ela é uma celebração do que é ser gamer. Você tem pessoas fantasiadas como os personagens favoritos (cosplayers), lojas lotadas, brindes e um enorme diferencial: testar diversos jogos que ainda não foram lançados.

Nesse ano, por exemplo, havia grandes filas para o novo Pokémon, da Nintendo, e Kingdom Hearts 3 – que os fãs da série da Disney e da Square Enix aguardam há mais de 10 anos. As filas para adentrar aos pavilhões do Los Angeles Center Convention, inclusive, começam a se formar bem antes da hora marcada. E quando as portas se abrem, é aquela correria para chegar aos estandes desejados.

Andando pelos corredores, você nota pessoas com seus consoles portáteis, outras tirando fotos com mascotes, personagens ou objetos interativos e até quem assista à palestras ou torneios de e-sports em arenas montadas. Tem diversão para todos os gostos. Jogos eletrônicos de variados gêneros e de todas as plataformas. Não há discriminação.

Business

Só que, no fim das contas, o core da E3 não é o fã. É a indústria. Prova disso é que nos dias antes do evento em si, as principais empresas, como Sony, Electronic Arts, Microsoft e EA, fazem as próprias conferências. Nesses eventos, anunciam seus próximos lançamentos para acionistas e mídia, e dão ao público, também, a oportunidade de participar de alguma forma.

Na própria E3, além dos estandes tradicionais, para o público testar os jogos, há salas fechadas que têm acesso restrito, com horário marcado, para os profissionais de mídia. Lá, os profissionais têm a oportunidade de jogar os games para, posteriormente, escreverem reviews sobre eles. O objetivo é motivar um buzz positivo em torno dos lançamentos para estimular as vendas.

Outra coisa que acontece muito nos corredores da E3 é o encontro entre personalidades de áreas importantes dos games. As empresas também gostam de promover encontros entre os jornalistas de acordo com suas regiões. Sem contar, claro, as lojas, que em muitos casos tem filas até maiores do que as de testes de jogos – e, quase sempre, com produtos exclusivos do evento.

Inspiração

Esse modelo de negócios serve como inspiração para diversos outros eventos ao redor do mundo, como a Paris Game Week, principal feira de games na Europa, e a Tokyo Game Show, no Japão. O Brasil não fica de fora. No ano passado, foi lançada a Game XP, em pleno Rock in Rio 2017, e ela já teve sua segunda edição confirmada para setembro desse ano no Parque Olímpico do Rio.

Mas a principal feira do país, e da América Latina, é a Brasil Game Show, que acontece em outubro em São Paulo. O evento, que completou 10 anos em 2017, já soma mais de 1,5 milhão de visitantes e reuniu nomes importantíssimos da indústria nos últimos anos, como Ed Boon (criador de Mortal Kombat) e Hideo Kojima (que fez Metal Gear).

E, certamente, a BGS 2018 estará lotada, como nos últimos anos. Afinal, o Brasil, segundo o Global Games Market Report 2017, é o 13º maior mercado consumidor de jogos eletrônicos do mundo, e 3º principal público cativo de e-sports do planeta, segundo um estudo recente da Newzoo. Ou seja, os resultados provam que o investimento no segmento vale a pena.